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Mercado

Dentro do varejo farmacêutico brasileiro, as drogarias constituem o principal meio de acesso da população aos medicamentos e um dos principais canais para artigos de higiene e beleza. Em sua maioria, esses estabelecimentos realizam a venda de Medicamentos, Medicamentos OTC e Produtos de Higiene e Beleza.

Conforme divulgado pela Abrafarma, foram emitidos pouco mais de 836 milhões de cupons fiscais no ano de 2016, o que significa que praticamente toda a população do país comprou pelo menos 4 vezes nas lojas associadas da Abrafarma durante o ano.

Em 2016, o mercado brasileiro de medicamentos movimentou R$ 85,3 bilhões, de acordo com IMS Health, um crescimento de 13,0% em relação a 2015.

O mercado brasileiro de drogarias é um mercado em forte crescimento, ainda pulverizado, mas em processo de consolidação. A população paga pela maioria dos seus medicamentos com recursos próprios, uma vez que programas públicos e privados de subsídio aos medicamentos, que prevalecem em diversos países do mundo, ainda são incipientes no Brasil. 

Indústria de Medicamentos
 

O setor de medicamentos é um dos setores de maior crescimento no mundo, tendo superado de maneira consistente o crescimento da economia mundial nos últimos anos, tendência verificada também no Brasil, de acordo com dados divulgados pela IMS Health.
 

Podemos identificar no Brasil os seguintes tipos de medicamentos:
 

•    Medicamentos de Marca: Medicamentos que englobam a categoria de Medicamentos de Referência e Medicamentos Similares, para os quais é exigida prescrição médica para a venda.
 

•    Medicamentos de Referência: Novos medicamentos lançados pelos laboratórios após grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, exaustivos procedimentos de testes e aprovação das agências governamentais competentes. São medicamentos que servem de parâmetro para os testes de bioequivalência e biodisponibilidade para a aprovação dos Medicamentos Genéricos. Esses produtos, quando de seu lançamento, são protegidos por patente, cujo prazo pode variar de acordo com a categoria da invenção e da legislação do país. No Brasil, este prazo é de até 20 anos.
 

•    Medicamentos Similares: Medicamentos que contêm o mesmo ou os mesmos princípios ativos e a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do respectivo Medicamento de Referência, podendo diferir somente em características relativas ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículos (intravenoso, comprimido, cápsula, supositório, etc). Os Medicamentos Similares também são identificados por meio de marca comercial e, assim como os Medicamentos Genéricos, só podem ser produzidos e comercializados após expiração ou renúncia da proteção patentária do respectivo Medicamento de Referência. Os Medicamentos Similares passam por testes de equivalência farmacêutica e biodisponibilidade exigidos pelo Ministério da Saúde, sem, no entanto, passar pelo teste de bioequivalência.
 

•    Medicamentos Genéricos: Medicamentos idênticos, ou bioequivalentes, aos respectivos Medicamentos de Marca na forma de dosagem, eficácia, segurança, potência, qualidade, características de desempenho e uso pretendido, desenvolvidos após a expiração, renúncia ou quebra da patente dos Medicamentos de Marca em que se baseiam, e utilizando fórmulas de Medicamentos de Marca. Dessa forma também é exigida a prescrição médica para a venda desse tipo de medicamento. A diferença se dá no nome, na marca e na forma de divulgação. Os Medicamentos Genéricos não são protegidos por patente.
 

•    Medicamentos OTC: Medicamentos cuja venda é livre, não requerendo a apresentação de prescrição médica, utilizados para o alívio de uma condição médica. Esse grupo inclui medicamentos para o tratamento de condições agudas fáceis de serem autodiagnosticadas, tais como antiácidos, remédios para tosse, dor e gripe.
 

O mercado de medicamentos brasileiro alcançou em 2016 índice composto de crescimento anual de receita bruta de vendas e serviços (CAGR) de aproximadamente 18,2%, entre 2008 e 2016.
 

Acreditamos que o crescimento do mercado de medicamentos no Brasil se deve, principalmente, (i) ao aumento de renda e do consumo per capita; (ii) ao envelhecimento da população brasileira; (iii) à expansão do mercado de medicamentos genéricos; e (iv) ao controle precoce de patologias. Os gráficos abaixo ilustram a evolução do setor no mundo e no Brasil nos últimos anos: 

 

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O consumo anual per capita de medicamentos no Brasil apresenta um grande potencial de crescimento, pois ainda é significativamente inferior quando comparado ao consumo nos principais mercados mundiais. 
 

Os seguintes fatores justificam as fortes perspectivas de crescimento do mercado brasileiro:
 

Aumento de Renda e do Consumo per Capita. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ou IBGE, o gasto em medicamentos oscila fortemente de acordo com o patamar de renda da família, o que demonstra a existência de uma forte demanda reprimida para a população de menor renda.
 

O período entre 2005 e 2010 se caracterizou por uma significativa migração de famílias para a Classe C, conforme demonstra o gráfico abaixo. Acreditamos que isso contribui de forma significativa para o crescimento do mercado farmacêutico. Portanto, à medida que o País seguir crescendo e diminuindo a alta concentração de renda hoje existente, podemos esperar que essa tendência continue se aprofundando. Estima-se que a representatividade da Classe C saltará de 54% no ano de 2010 para 60% no ano de 2030, conforme gráfico abaixo:
 

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•    Envelhecimento da População: O consumo de medicamentos varia conforme a idade. Este padrão de consumo, aliado ao crescimento esperado da população com mais de 60 anos, deverá fazer com que o mercado farmacêutico brasileiro eleve o seu patamar nos próximos anos. No ano 2000, de acordo com o IBGE, o número de pessoas com mais de 60 anos era de 12,9 milhões, tendo saltado para aproximadamente 26,3 milhões em 2010. O IBGE projeta que este número saltará para 29,2 milhões em 2020, para 41,5 milhões em 2030 e para 73,5 milhões em 2060, o que corresponde a uma taxa anual composta de crescimento médio de 3,5% para os próximos 20 anos. Estima-se que a representatividade demográfica dessa parcela da população, que era de 10% em 2010, saltará para 33,7% em 2060, conforme o gráfico abaixo.
 

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•    Expansão do Mercado de Medicamentos Genéricos: Os Medicamentos Genéricos foram introduzidos no Brasil no final de 1999 e vêm apresentando alto crescimento desde o início de sua comercialização. Segundo dados da IMS Health, as vendas de medicamentos genéricos atingiram R$ 23,2 bilhões em 2016, um crescimento de 17,2% às vendas realizadas em 2015, as quais foram R$ 19,8 bilhões. O valor, auditado pela IMS Health, não considera os descontos de mais de 50% oferecidos pela indústria ao varejo e se baseia nos registros de preços feitos pelos laboratórios na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). O gráfico a seguir ilustra a evolução do crescimento de participação dos Medicamentos Genéricos no mercado total de medicamentos:
 

Dentre os fatores que fazem com que o mercado de Medicamentos Genéricos esteja num momento de expansão, destacam-se o preço competitivo destes medicamentos frente aos medicamentos de marca e a expiração de patentes de medicamentos líderes de vendas em um futuro próximo. De acordo com a legislação vigente no Brasil, os preços dos Medicamentos Genéricos devem ser no mínimo 35% inferiores aos dos Medicamentos de Referência devido, notadamente, aos menores custos com pesquisa e desenvolvimento, o que os torna bastante competitivos e na prática, os descontos oferecidos aos clientes são de 50%. Além disso, um número significativo de Medicamentos de Referência perdeu a patente nos últimos anos, segundo a IMS Health, hoje, 94% do mercado brasileiro de varejo em valor não é mais protegido. O Brasil tem R$ 1 bilhão em vendas de medicamentos que perderão patente até 2016 e, de 2016 a 2020, mais R$ 1,8 bilhão, significa que há um amplo território livre para o crescimento dos Medicamentos Genéricos.
 

Ainda assim, os esforços tradicionais de pesquisa e desenvolvimento, bem como a pesquisa em novas áreas, tais como a biotecnologia e a pesquisa genética, devem continuar a gerar compostos novos e mais eficazes para atender às necessidades ainda não supridas dos pacientes, contribuindo para o contínuo desenvolvimento do segmento dos Medicamentos de Marca.
 

Novos medicamentos que visam à melhoria da qualidade de vida, tais como medicamentos para o controle de peso, suplementos nutritivos, pílulas anticoncepcionais e produtos para a disfunção erétil surgiram como um segmento novo e de rápido crescimento da indústria.
 

•    Controle Precoce de Patologias: O estilo de vida adotado pela população nas grandes cidades do Brasil e do mundo vem contribuindo para a degradação da saúde dos indivíduos. Esta população urbana respira ar poluído, alimenta-se de forma inadequada, possui vida sedentária e sofre com os efeitos do estresse, o que contribui para patologias como diabetes, colesterol elevado, hipertensão, doenças respiratórias, depressão, entre outras. Adicionalmente, os médicos e a população em geral estão se conscientizando cada vez mais dos benefícios resultantes da prevenção, detecção e do controle precoce destas e de outras patologias. O início dos tratamentos tem ocorrido cada vez mais cedo, por meio do uso dos medicamentos, contribuindo para a saúde e bem estar e alavancando o crescimento do mercado farmacêutico, sobretudo entre a população não idosa.
 

Indústria de Higiene e Beleza (HPC)
 

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o faturamento do segmento de higiene e beleza no Brasil, em 2016, atingiu R$ 45,0 bilhões, com uma taxa média de crescimento composto anual entre 2010 e 2016 de 8,7%. Crescimento de 4,2% no ano de 2016.
 

O gráfico abaixo ilustra o faturamento da indústria brasileira de não medicamentos (“Ex-Factory”, livre de impostos) entre 2005 e 2016:
 

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Segundo a ABIHPEC, no Brasil, existem 2.642 empresas atuando no mercado de produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, sendo que 20 empresas de grande porte, com faturamento líquido de impostos acima dos R$ 100 milhões, representam 73,0% do faturamento total.
 

A ABIHPEC cita vários fatores que têm contribuído para a expansão do mercado de cosméticos no Brasil e que poderão continuar a suportar a expansão do setor: 
 

•    Acesso das classes D, E aos produtos do setor, devido ao aumento de renda. Os novos integrantes da classe C passaram a consumir produtos com maior valor agregado;
•    Participação crescente da mulher brasileira no mercado de trabalho;
•    A utilização de tecnologia de ponta e o consequente aumento da produtividade, favorecendo os preços praticados pelo setor, que tem aumentos menores do que os índices de preços da economia em geral;
•    Lançamentos constantes de novos produtos atendendo cada vez mais às necessidades do mercado;
•    Aumento da expectativa de vida, o que traz a necessidade de conservar uma impressão de juventude.
Em geral, as redes de drogarias oferecem uma grande variedade de Não Medicamentos, desde simples produtos destinados à higiene pessoal, tais como sabonetes, cremes dentais e desodorantes, a produtos destinados à proteção ou embelezamento do corpo, tais como protetores solares, perfumes, cremes, produtos capilares, batons, etc.


O Setor de Varejo Farmacêutico
 

O setor varejista de produtos farmacêuticos caracteriza-se principalmente pela compra, distribuição e revenda de medicamentos, incluindo remédios de marca, de referência, similares, genéricos e medicamentos OTC. Também é comum nesta indústria a comercialização de produtos relacionados à indústria de HPC e produtos de conveniência. 
 

Nos últimos anos, o mercado de varejo farmacêutico brasileiro tem apresentado taxas de crescimento expressivas em termos de faturamento. Durante o período entre 2010 e 2016, a receita do setor cresceu, em média, 16,0% ao ano. Segundo projeção do IMS Market Prognosis, o faturamento do setor de varejo farmacêutico no Brasil deve crescer a uma taxa de crescimento média anual composta (CAGR) em US$ constantes entre 12% e 15% de 2012 a 2017. Este crescimento deverá ser impulsionado, principalmente, pelos mercados regionais menos desenvolvidos atualmente.
 

Conforme já mencionado, o crescimento do setor tem sido sustentado por fatores como o aumento da renda, o envelhecimento da população, a maior penetração obtida por medicamentos genéricos e pela maior participação de Não Medicamentos no mix de vendas. Soma-se a isso o crescente apoio governamental realizado por meio do programa “Farmácia Popular”, iniciado como protótipo em 2004, no qual o governo subsidia a venda de medicamentos através da isenção de impostos para laboratórios, resultando em descontos de até 90% para a população.